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Tradução inédita de "Por onde começar?"
O artigo “Por onde começar?” teve incalculável importância para a organização do Partido Bolchevique, que de fato acabou sendo organizado conforme a proposta de Lênin. É uma valiosíssima análise da importância da imprensa para as organizações revolucionárias. Ensinamento que anda meio esquecido. Trata-se uma versão feita a partir do italiano, não do russo:
Por onde começar?
Lênin [1]
No último ano, a pergunta “Que fazer?” se impôs com força particular aos social-democratas russos. Não se trata de escolher um caminho (como foi o caso nos fins dos anos oitenta e início dos anos noventa do século XIX), mas de saber quais passos práticos devíamos dar sobre uma rota já traçada, e precisamente de que modo. Se trata do método e do plano de atividade prática. E precisamos reconhecer que o problema do caráter e dos métodos da luta, fundamental para um partido prático, não está completamente resolvido entre nós e continua a suscitar sérios dissensos, que revelam uma instabilidade e incerteza ideológica deplorável. De um lado, está ainda bem viva a tendência “economicista”, que inferioriza e restringe o trabalho de organização e agitação política. De outro lado, continua de cabeça firmemente erguida a tendência do ecletismo sem princípios, que muda ao sabor de qualquer brisa e não sabe distinguir entre os interesses imediatos das tarefas essenciais e das exigências permanentes do movimento no seu conjunto.
Como é notório, esta tendência está implantada na Rabotcheie Dielo. A sua última declaração “programática”, um altissonante artigo sob o altissonante título de Uma reviravolta histórica (n. 6 do Listok Rabotchevo Dielo), confirma com particular evidência o comportamento característico supra indicado. Eis como se comportam: Ontem ainda estávamos com o “economismo”, indignavamo-nos com a decidida condenação da Rabotchaia Myls, “atenuavamo-nos” a imposição plekhanoviana da questão da luta contra a autocracia, e hoje já citamos as palavras de Liebknecht: “Se as circunstâncias transformam-se em vinte e quatro horas, é preciso modificar a tática em vinte e quatro horas”, já falamos de uma “forte organização combativa” para o ataque direto, para o assalto contra a autocracia, que promova larga agitação revolucionária e política (guarde bem como somos agora enérgicos: revolucionária e política!) entre as massas, “incansável apelo aos protestos de rua”, e “organização das manifestações de rua com notório (sic!) caráter político”, etc., etc.
Poderíamos, com efeito, declararmo-nos contentes com o fato da Rabotcheie Dielo haver assimilado tão rapidamente o programa avançado que publicamos no primeiro número do Iskra, de criação de um forte partido organizado, imbuído do objetivo não de conquistar simples concessões, mas sim a própria fortaleza da autocracia, porém, o fato destes indivíduos não terem opiniões firmes enfraquece a nossa alegria.
O Rabotcheie Dielo, naturalmente, evoca Liebknecht em vão. Em vinte e quatro horas se pode mudar a própria tática de agitação nessa ou naquela questão específica, a própria tática em questão ou alguma particularidade da estrutura do partido, mas somente indivíduos sem princípios podem mudar em vinte e quatro horas, ou mesmo em vinte e quatro meses, a própria idéia sobre a necessidade – em geral constante e absoluta – de uma organização de luta e de agitação política entre as massas. É ridículo evocar a frase de Liebknecht em outra situação, ao sucederem-se os períodos: Questionar se se deve trabalhar por criar uma organização combativa e realizar uma agitação política em qualquer situação, em períodos “cinzentos, pacíficos”, em períodos de “declínio do espírito revolucionário”, quando ao contrário, exatamente nessas situações e nesses períodos é particularmente necessário esse trabalho, por que nos momentos de explosões sociais não há tempo hábil para criar uma organização, que nesses momentos já deve estar pronta para poder desenvolver imediatamente seu atividade. “Mudar a tática em vinte e quatro horas”! Mas para poder mudar a tática é necessário antes de tudo ter uma tática, e se não existe uma organização viva, preparada para a luta política em qualquer momento e todas as situações, não se pode falar de qualquer plano sistemático de ação, iluminado por princípios firmes e rigorosamente aplicado, que é só o que merece o nome de tática. Vejamos, de fato, como estão as coisas: Já se disse que o “momento histórico” colocou diante do partido um problema “completamente novo”, o terrorismo. Ontem, “completamente novo” era o problema da organização política e da agitação, hoje o do terrorismo. Não é muito estranho ouvir homens esquecerem a tal ponto da própria família russa sobre uma radical mudança de tática? Afortunadamente, o Rabotcheie Dielo está errado. O problema do terrorismo não é de fato novo, a nós basta recordar brevemente a opinião que vimos formando-se dentro da social-democracia russa.
Na linha dos princípios nós não renunciamos nunca e não poderíamos renunciar ao terrorismo. É uma operação militar que pode perfeitamente servir, e ser ate necessária, em um determinado momento da batalha, quando a tropa se encontra em uma determinada situação e existindo determinadas condições. Mas a substância do problema é precisamente que hoje o terrorismo não vem absolutamente proposto como uma operação do exército operante, estritamente ligada e adequada a todo o sistema de luta, mas como um meio de ataque singular, autônomo e independente de todo o exército. E quando falta uma organização revolucionária central e as locais são débeis, o terrorismo não pode ser nada diferente. Eis por que dizemos decididamente que nas circunstâncias atuais este meio de luta é intempestivo, inoportuno, uma vez que desvia os combatentes mais ativos de suas verdadeiras tarefas, mais importantes para todo o movimento, e desorganiza não a força governativa, mas a revolucionária.
Recordai os últimos acontecimentos: diante de nossos olhos grande massa de operários e “populares” desejando atirar-se à luta, e os revolucionários estão privados de um estado maior de dirigentes e organizadores. Nestas condições, não se corre talvez o risco que, se os revolucionários mais enérgicos passam à atividade terrorista, se enfraqueçam as únicas divisões de combatentes sobre as quais possamos basear sérias esperanças? Não se corre talvez o risco de romper-se a ligação entre as organizações revolucionárias e a massa dispersa dos descontentes, que protestam e estão prontos para a luta, mas são frágeis exatamente por que dispersos? Contudo essa ligação é a única garantia de nosso sucesso. Longe de nós o pensamento de negar qualquer importância às ações heróicas isoladas, mas temos o dever de nos colocarmos energicamente em guarda contra as permissivas exaltações do terrorismo, contra reconhecê-lo como principal e fundamental meio de luta, coisa à qual muitíssimas pessoas estão propensas hoje em dia. O terrorismo não poderá nunca tornar-se uma ordenada ação militar: no melhor dos casos, pode servir somente como um dos métodos do assalto decisivo. Aqui se levanta a questão se no momento atual poderíamos fazer apelo a esse assalto. O Rabotcheie Dielo, ao menos parece, responde que sim. Ao menos exclama: “Alinhai-vos na coluna de assalto!” Mas, ainda uma vez, muito zelo e pouco siso. A massa principal de nossa força militar é composta de voluntários e pelos insurretos. Possuímos somente algumas pequenas divisões de tropas permanentes, e ainda essas não são mobilizáveis, não são amigáveis entre si, não são adestradas, em geral, para alinhar-se em uma coluna militar e menos ainda em uma coluna de assalto. Nestas condições, qualquer pessoa capaz de compreender as condições gerais de nossa luta sem esquecer cada “reviravolta” do curso histórico dos acontecimentos, deve ter claro que nossa palavra de ordem, nesse momento, não pode ser “lançar o assalto”, mas deve ser “organizar um assédio regular à fortaleza inimiga”. Em outras palavras: A tarefa imediata de nosso partido não pode ser utilizar todas as formas ora disponíveis de ataque, mas promover a formação de uma organização revolucionária, capaz de unir todas as forças e de dirigir o movimento não somente no nome, mas de fato, isto é, de estar sempre pronta a sustentar qualquer protesto e qualquer explosão social, desfrutando destas para multiplicar e consolidar as forças militares que possam servir para a batalha decisiva.
A lição dos acontecimentos de Fevereiro e Março (de 1901 [2]) é tão sugestiva que é duvidoso se podemos sofrer objeções de princípio contra esta conclusão. Mas nós hoje devíamos resolver o problema não no campo dos princípios, mas praticamente. Devíamos não somente esclarecer a nós mesmos qual organização precisamos exatamente, e por meio precisamente de quais trabalhos: devíamos elaborar um plano de organização que passe a ser executado por todas as partes do partido.
Considerada a urgência do problema, decidimos de nossa parte submeter à atenção dos camaradas o esboço de um plano, que desenvolvemos de modo mais detalhado em um opúsculo em curso de preparação para impressão (Nota do tradutor: Trata-se da obra “Que Fazer?”, que foi publicada somente em 1902).
Em nosso parecer, o ponto de partida da nossa atividade, o primeiro passo prático para criar a organização que desejamos, o fio condutor, enfim, seguindo o qual poderemos incessantemente desenvolver, enraizar e alargar essa organização, deve ser a fundação de um jornal político para toda a Rússia. Aqui precisamos antes de tudo de um jornal; sem um jornal é impossível coordenar sistematicamente a propaganda e a agitação multiformes e conseqüentes que constituem a tarefa permanente e principal da social-democracia em geral, e a tarefa particularmente urgente do momento atual, no qual o interesse pela política, pela questão do socialismo, está acordando na mais larga parte da população. E nunca foi sentida com tanta força como hoje a exigência de se completar a agitação dispersa, feita através da ação pessoal, dos jornalecos locais, opúsculos etc. Completar com a agitação generalizada e regular que se pode desenvolver somente por meio da imprensa periódica. Não creio que seja exagerado afirmar que a maior ou menor freqüência e regularidade da saída (e difusão) do jornal poderá ser o índice mais exato da solidez dos êxitos obtidos na organização desse setor, que o mais elementar e mais importante de nossa atividade militar. Diga-se, aquilo de que aqui precisamos é um jornal para toda a Rússia. Se não sabemos e em quanto não soubermos unificar a nossa influência sobre o povo e o governo mediante a palavra impressa, será utopia pensar poder unificar outros meios de influência mais complexos, mais difíceis e a curto prazo mais decisivos.O nosso movimento, seja do ponto de vista ideológico ou do prático, organizativo, sofre sempre muito por causa de seu fracionamento, dado que a imensa maioria dos social-democratas está quase completamente absorvida pelo trabalho puramente local, que restringe seu horizonte e a amplitude de sua atividade, de sua experiência clandestina e a sua preparação. Exatamente desse fracionamento se deve cortar as raízes mais profundas, daquela instabilidade e daquela fraqueza da qual tratamos acima. E o primeiro passo adiante para livrarmo-nos desse defeito, para transformarmos diversos movimentos locais em um único movimento nacional russo deve ser a organização de um jornal para toda a Rússia.
Escrito por Alex às 20h12
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Enfim, aqui necessitamos absolutamente de um jornal político. Na Europa moderna sem um órgão de imprensa política é inconcebível um movimento que mereça ser chamado político. Sem um órgão de imprensa política é absolutamente impossível cumprir nosso dever de concentrar todos os elementos de descontentamento de protesto político, de fecundar com estes o movimento revolucionário do proletariado. Demos o primeiro passo, despertamos na classe operária a paixão pelas denúncias “econômicas”, de fábrica. Devemos completar o passo seguinte: despertar em todos os estratos do povo mais ou menos consciente a paixão pela denúncia política. Se as vozes que se levantam para desmascarar o regime são hoje tão débeis, raras e tímidas, não devíamos ficar impressionados. Isso não se deve à resignação geral ao arbítrio policial. É devido ao fato que os homens capazes de fazer as denúncias, e prontos a fazê-las, não têm uma tribuna da qual possam falar, não têm um público que escute e aprove apaixonadamente os oradores; ao fato destes não verem de nenhuma parte no povo uma força à qual valha a pena dirigirem-se para protestarem contra o “onipotente” governo russo.
Mas hoje tudo isso se vai modificando com extraordinária rapidez. Esta força existe, é o proletariado revolucionário; já demonstrou estar pronto não somente a escutar e sustentar o apelo à luta política, mas também a somar-se corajosamente na luta. Temos hoje a possibilidade e o dever de criar uma tribuna da qual todo o povo possa denunciar o governo tzarista, e essa tribuna deve ser um jornal social-democrata. A classe operária, diferente das outras classes e dos outros setores da sociedade russa, mostra um constante interesse pelo conhecimento político, pede continuamente (e não somente nos períodos de particular fermentação) publicações ilegais. Quando existe tal pedido por parte da massa, quando já estão formando-se dirigentes revolucionários provados, e a concentração da classe operária resulta que esta habita os bairros operários das grandes cidades, as vilas operárias, os subúrbios industriais, a fundação de um jornal político é coisa para que o proletariado está perfeitamente preparado. E através do proletariado o jornal penetrará nas filas da pequena burguesia urbana, dos artesãos rurais e dos camponeses e se transformará em um verdadeiro jornal político popular.
Um jornal, todavia, não tem somente a função de difundir idéias, de educar politicamente e de conquistar aliados políticos. O jornal não é somente um propagandista e agitador coletivo, mas também um organizador coletivo. Sobre esse último aspecto, se pode comparar o jornal com a estrutura de andaimes que envolve o edifício em construção mas permite adivinhar seus traços, facilita os contatos entre os construtores, lhes ajudando a subdividir o trabalho e a dar conta dos resultados gerais obtidos com o trabalho organizado. Através do jornal e com o jornal se formará uma organização permanente, que se ocupará não somente do trabalho local, mas também do trabalho geral sistemático, que ensinará a seus membros a acompanharem atentamente os acontecimentos políticos, a avaliar a importância e a influência de diversos estratos da população, a elaborar quais métodos permitem ao partido revolucionário exercitar sua influência sobre os mesmos. Até mesmo as tarefas técnicas de assegurar ao jornal fornecimento regular de recursos e uma distribuição eficiente obrigará a criar uma rede de distribuidores/correspondentes locais de confiança do partido único, distribuidores/correspondentes que deverão manter-se em contato vivo uns com os outros, deverão conhecer a situação geral, habituar-se a executar regularmente uma parte do trabalho para toda a Rússia, a experimentar as próprias forças organizando hora esta, hora aquela ação revolucionária. Esta rede de distribuidores/correspondentes [3] será o esqueleto exatamente da organização de que aqui precisamos: suficientemente grande para estender-se por todo o país; suficientemente ampla e variada para efetuar uma rigorosa e detalhada divisão do trabalho, suficientemente temperada para saber cumprir inflexivelmente o seu trabalho em todas as circunstâncias, em todas as reviravoltas e em todos os imprevistos, bastante flexível para saber, por um lado, evitar a batalha em terreno descoberto e contra um inimigo de forças superiores, que as concentrou em um só ponto e, por outro, aproveitar das incapacidades de manobra do inimigo para cair-lhe em cima no lugar e no momento em que ele menos espera. Hoje, diante de nós se coloca uma tarefa relativamente fácil, apoiar os estudantes que se manifestam nas praças das grandes cidades. Amanhã, pode se colocar uma tarefa mais difícil, por exemplo, apoiar o movimento dos desempregados de alguma região. Depois de amanhã, deveremos estar talvez em nosso posto participando de modo revolucionário de um levante camponês. Hoje, devíamos usar o agravamento da situação política que o governo criou com a cruzada contra o zemstvo (espécies de parlamentos rurais de tipo feudal russo). Amanhã, deveremos apoiar a indignação da população contra este ou aquele esbirro tzarista, desencadeando e ajudando, mediante os boicotes, as denúncias, as manifestações etc., a dar uma lição tal que o constranja a se retirar. Tal grau de preparação para a luta se pode formar somente com uma atividade contínua em que se empenhe a tropa regular. Se nós unirmos nossas forças para desaguar em um jornal de escala nacional, tal trabalho fará surgir e formará não somente os propagandistas mais hábeis, mas também os organizadores mais provados, os chefes políticos mais capazes de saberem lançar no momento exato a palavra de ordem da luta decisiva e dirigir essa luta.
Para concluir, poucas palavras para evitar um possível equivoco. Temos sempre falado sobretudo de uma preparação sistemática, planificada, mas com isto não pretendemos de fato dizer que a autocracia poderá cair exclusivamente em seguida a um assédio regular e um assalto organizado. Não pretendemos cair em um doutrinarismo absurdo. Ao contrário, é plenamente possível e historicamente muito mais provável que a autocracia caia sob a pressão de uma daquelas explosões espontâneas ou daquelas complicações políticas imprevisíveis, que ameaçam vir continuamente de todas as partes. Mas nenhum partido pode, sem cair no aventureirismo, planejar sua atividade com base na esperança de explosões sociais e complicações políticas. Nós devemos seguir a nossa estrada, desenvolver sem pausas o nosso trabalho sistemático, e quando menos esperarmos, e surgirem esses imprevistos, tanto maiores serão as possibilidades de não nos deixarmos pegar desprevenidos por nenhuma “reviravolta histórica”.
NOTAS
1. Publicado pela primeira vez no Iskra, número 4, de Maio de 1901. Traduzido da versão italiana por Alex Lombello Amaral em 2008.
2. Em fevereiro e Março de 1901, em Petrogrado, Moscou, Kiev, Karkov, Iaroslav, Tomsk, Varsóvia, Bielostol e em outras cidades da Rússia aconteceram furiosas agitações de estudantes, comícios, manifestações e greves de operários.
3. É obvio que tais distribuidores/correspondentes poderiam trabalhar com sucesso somente se mantivessem estreitíssimos contatos com os comitês locais (grupos, círculos) do nosso partido. Naturalmente, todo o plano traçado por nós pode, em geral, ser realizado somente se contar com o mais ativo apoio dos comitês, que têm dado mais de um passo em falso para a unificação do partido e que, estamos certos, obterão essa unificação se não hoje, amanhã, se não de uma forma, de outra.
Escrito por Alex às 20h11
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ELeições : uma reflexão sobre o espaço "democrático" vigente
Que democracia é essa?
Estamos em época de eleições diretas no nosso país. Em outubro, iremos às urnas e votaremos (ou não) em candidatos às direções municipais em cada cidade do Brasil. Desde o fim da ditadura, utilizamos tal sistema para legitimar a democracia em nosso país. Porém, passados esses 23 anos, ainda vemos que o poder democrático existente não faz jus ao seu nome. Infelizmente, os exploradores ainda regem a política do nosso país.
Por mais de duas décadas, vemos que o conservadorismo só andou se camuflando. Ao invés de usar a farda do exército, os burgueses agora utilizam de partidos para controlar o povo. Assim como Lênin nos disse, tais conservadores aderem ao discurso da social-democracia, com o objetivo de iludir toda a população; um prato cheio para consolidar o neoliberalismo em nosso Estado. Ao longo dos tempos, conseguimos perceber que ainda não existe democracia em nosso país, uma vez que o poder não é estruturado pela causa popular. Ao contrário disso, em nosso cotidiano ainda encontra-se a exploração da classe trabalhadora, a miséria e a humilhação, imposta pelo capitalismo em todo o país e no mundo.
Nós, comunistas, utilizamos do espaço eleitoral para denunciar, debater e criticar incessantemente o sistema capitalista vigente no Brasil. Sistema tal que nos mostra impossível de suprir as necessidades da humanidade e que se preocupa somente com as minorias que explora a todos os trabalhadores e que produz os miseráveis.
O sistema de democracia liberal mostra que a corrupção começa na candidatura dos representantes políticos. O capital é inescrupulosamente utilizado em panfletos, cartazes, bonés e outras ferramentas para alienar o povo. Milhões de reais que poderiam ser utilizados nos espaços públicos, com o objetivo de reduzir o quadro de desigualdade social no país são desperdiçados em gastos com as propagandas em rádios e na televisão. O gasto exorbitante por representantes conservadores no país nas eleições é uma breve síntese do interesse burguês na tomada do poder. Burguesia essa que criminaliza os movimentos sociais e marginaliza a classe trabalhadora. Além disso, continua ela prostituindo os operários do campo e da cidade através de esmolas salariais.
Na atual conjuntura política em que vivemos, podemos perceber que a causa popular foi traída e abandonada por um governo que sempre se orgulhou em dizer que abraçava os interesses da maioria da população. Entretanto, vemos que o projeto petista, liderado pelo presidente Lula está à milhas distante da causa popular e da luta de classes. O que vemos nesse mandato é simplesmente o pacto com o neoliberalismo, através de acordos e incentivos ao agronegócio e o latifúndio.
Apesar da derrota popular em tal governo, vemos que os movimentos sociais agora se levantam mais uma vez contra a arquitetura de poder liberal, que cada vez mais se mostra ineficiente para combater as desigualdades sociais em nosso país e no mundo.
O debate aqui levantado é simplesmente uma ferramenta de reflexão, que pode nos auxiliar na queda desse sistema vigente. Além disso, a quebra de tal democracia liberal nos orienta a uma sociedade socialista que visa a transformação social.
Escrito por Luan às 14h31
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A ineficiência da economia capitalista:
Crescimento econômico X Desenvolvimento
Historicamente, o sistema capitalista, através de seus seguidores e propagadores, construíu o mito de que crescimento econômico é sinônimo de desenvolvimento. Para tentar desconstruir aqui esta mentira, farei abordagens inspiradas em Celso Furtado, economista que já na década de 70 escreveu “O mito do desenvolvimento econômico”, onde com maestria descreveu que crescimento não significa necessariamente desenvolvimento.
Desenvolver uma sociedade, em síntese, significa ampliar o acesso aos bens e serviços essenciais para a existência digna dos cidadãos e cidadãs de uma pátria, tendo em vista a sustentabilidade das futuras gerações. Trata-se de buscar permanentemente um modelo que dê à todos condições menos desiguais de oportunidades, para a realização do desenvolvimento humano, que é algo que transcende às condições materiais.
Crescimento econômico é quanto a riqueza econômica uma nação consegue se acumular num dado período de tempo.
Vendo assim, parece banal e obvia a diferença entre desenvolvimento e crescimento. No entanto, a ausência de reflexão desta importante diferença no dia a dia, leva uma grande massa da população a pensar que estamos “no caminho certo”, quando, por exemplo, o PIB – Produto Interno Bruto, do país cresce em “X”%.
Pressupõe-se que para um bom modelo de desenvolvimento social, é salutar a existência de crescimento econômico. No entanto, o fato de uma nação acumular riqueza, dependendo da forma como se acumula, pode significar um declínio do desenvolvimento social.
No Brasil, estamos historicamente assentados num modelo econômico que fomenta a redução do desenvolvimento social, seja com acumulação ou não de riquezas.
Usarei o exemplo do motor de nossa acumulação de divisas, a exportação de produtos primários. Em 2007 crescemos o PIB em 5,4%, principalmente em função do saldo positivo da balança comercial (exportações – importações) que vem alcançando recordes pela voracidade do mercado internacional por “comodittes” (matérias primas).
No entanto, gerar divisas desta forma é depredar as condições necessárias para o desenvolvimento social !
Façamos um leve exercício. Imagine você, caro leitor, sendo um grande latifundiário. Cansado de ficar com a terra improdutiva, resolve plantar. Logo, ao pesquisar as melhores opções, descobre que se cobrir seu latifúndio de milho, feijão e arroz, ganhará X num período de 7 anos. E por outro lado, descobre que se plantar cana de açúcar, por este mesmo período, ganhará 2X, porque o governo está incentivando a construção de usinas de álcool.
Qual opção fará você, grande latifundiário?
Obviamente você, grande latifundiário, juntamente com seus amigos latifundiários, venderão no mercado internacional o álcool produzido. E juntos gerarão muitas divisas para o país. E incentivarão crescimentos econômicos da ordem de 5,4%. Ganharão tanto dinheiro, que tornar-se-á grande negócio comprar pequenas propriedades vizinhas. Até porque neste país pequenas propriedades possuem dificuldades de acesso à crédito, possuem dificuldade de produção e distribuição, apesar de ocuparem 30% do território nacional, têm acesso a somente 10% do credito rural oferecido pelo Estado e mesmo assim são responsáveis por 50% dos alimentos produzidos no país.
E o desenvolvimento social?
Onde fica o desenvolvimento social, quando o Estado incentiva este tipo de prática? Tudo bem, crescemos 5,4%, mas...pra que serve este crescimento? Para incentivar usinas de álcool? Que vão incentivar os latifundiários a expulsarem o homem do campo e jogá-lo na cidade a esmo? Gerando com isso mais violência e degradação social? E que qualidade de trabalho existe num plantio de cana? Cadê o desenvolvimento? Onde está o desenvolvimento social, quando se paga 7 reais num kg de feijão? Cadê ele, quando o solo é cada vez mais detonado com a prática da monocultura? Afinal, é mais importante abastecer carros dos países desenvolvidos (sustentando com isso um padrão de consumo que só destrói o planeta) ou gerar condições dignas para nosso povo?
Caro leitor – que certamente não se trata de um grande latifundiário. Busquei estas singelas provocações, para que estejamos sempre atentos às mitologias que nos são passadas nos jornais e salas de aula, como verdades “únicas”. Afinal, exemplos desta ordem caminham na direção do que para nós, comunistas, é algo bastante cristalino, de que o modo de produção capitalista é uma máquina de fazer disparidades.
Escrito por Sammer Siman às 03h46
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A linha geral para combater o capitalismo sob democracias:
Os comunistas e a democracia capitalista
Os comunistas e a democracia
Nenhum comunista deseja uma ditadura. O primeiro modelo político dos comunistas, apontado por Karl Marx como exemplo no final de sua vida, foi a Comuna de Parais de 1871, o governo mais democrático que uma cidade já teve em toda a história da humanidade. O que permitiu aos bolcheviques a vitória contra as forças capitalistas foi a defesa do poder dos conselhos (soviets) de operários, soldados e camponeses, ou seja, a mais ampla democracia que a Rússia já conheceu. O fim do poder dos soviets, em 1936, foi o início da queda da União Soviética, que deixou de fazer jus a esse nome, obrigando os comunistas a recorrerem à ditadura para manter a revolução, o que não funcionou nada bem, comprovando a fraqueza do recurso.
Cada revolução vitoriosa que se seguiu à soviética baseou-se em tipos novos de democracia, com revogabilidade dos mandatos, poder direto sobre alguns assuntos ao invés de representatividade etc. Quando a estratégia da democracia de novo tipo, seja em que revolução for, fracassa, segue-se a derrocada da própria revolução.
Contudo, como se nota pelos exemplos acima citados, o que nós comunistas chamamos de democracia não é a democracia capitalista, chamada “liberal” ou “ocidental”, cujos exemplos, absolutamente todos, são somente o poder do capital legitimado por eleições espetaculares que não resultam em NENHUM poder por parte do povo! Contudo, apesar de críticos, os comunistas têm sido fiéis defensores mesmo dessa fajuta democracia capitalista.
Histórico
Nunca até hoje uma organização revolucionária desenvolveu-se e continuou revolucionária sob uma democracia capitalista, ou liberal, ou ocidental, ou como se queira chamar a farsa que legitima o poder do capital nos diversos países capitalistas.
As estratégias e táticas usadas por estas organizações não foram, em nenhum caso, de fato revolucionárias. Nem mesmo se pode dizer que seguiram cegamente os teóricos comunistas. Na verdade, o que quase sempre fizeram, ao arrepio de toda a literatura marxista, foi defender e, absurdo, acreditar na democracia capitalista mais que qualquer burguês. No caso brasileiro, existem ditos comunistas que confessamente acreditam na democracia liberal. Desde que existem no Brasil, os comunistas viveram defendendo a democracia capitalista dos ataques dos... capitalistas. Por um bom tempo, essa era uma estratégia justa, única possível, mas desde a Constituinte de 1988, iniciou-se o período em que ser revolucionário exige superar os marcos capitalistas, inclusive na questão do estado.
Fraquezas desse caminho fracassado
Primeira, a democracia capitalista é indefensável pois todos vêm que nem soluciona os problemas, muito menos permite planejamentos e avanços. Pelo contrário, colocou a sociedade em crise. Assim, voltam a crescer os adeptos de regimes autoritários.
Segunda, a tarefa de defendê-la deve ser de seus donos, os capitalistas. Ao fazermos o trabalho da direita é que essa fica com as mãos livres para defender posturas autoritárias. De fato, diante de propostas democráticas avançadas, os autoritários correm a defender a democracia capitalista, sendo obrigados a camuflar e recuar seus planos ditatoriais.
Terceira, a defesa da democracia capitalista é uma falsidade, portanto é anti-revolucionária. Os comunistas precisam desse critério para todos os seus discursos e bandeiras. É justo defender as liberdades democráticas das democracias capitalistas, como a liberdade de expressão, mas é mentira e traição afirmar que o povo tem algum poder, ou responsabilidade, que o voto é um poder, que se o povo soubesse votar as coisas seriam melhores, ou seja, é traição mentir ao povo e culpa-lo pela ditadura do capital.
Um novo caminho
Temos que propor a caminhada para o socialismo, o que inclui, indispensavelmente, a superação da democracia capitalista, construindo as bases políticas para a revolução. Em primeiro lugar, nos movimentos sociais, onde a correlação de forças nos é mais favorável. E em concordância com essa política, nos municípios, estados e para o conjunto da República.
É claro que em cada movimento, em cidades pequenas e grandes, para os estados e o país, diferentes são os caminhos a seguir. Por exemplo, nos movimentos sociais, o poder das entidades de base é uma forma de democracia mais avançada que a liberal feita de grandes eleições. Já para os municípios, estados e a federação não temos similares às entidades de base, nem é possível inventar tal coisa, portanto serão necessários outros recursos.
Participar das eleições capitalistas é uma tática indispensável, mas somente é saudável com bandeiras revolucionárias, como a revogabilidade de todos os mandatos, a socialização de empresas estatais e reestatização e socialização das privatizadas, diversas formas de poder direto do povo, a completa e absoluta transparência das contas públicas, uma proposta de democratização da imprensa por meio da criação de uma imprensa socialista de nível local etc.
Escrito por Alex às 19h07
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Brasil envolvido nas guerras do mundo árabe
Deixemos o Irã em paz
O Brasil aceitou enviar um navio de guerra para as águas do mundo árabe, para participar de manobras, ou seja, provocações da marinha dos EUA contra o Irã.
O que fez contra nós o Irã? O que temos a reclamar da República Islâmica? Os EUA lançam sobre esse país a suspeita de que pretenda construir armas nucleares. Ora, o Irã não precisa dessas armas, e é necessário lembrar, nunca usou nenhum dessas contra ninguém. Só um país, os EUA, já as utilizaram, contra os japoneses mas para aterrorizar o mundo.
O Irã é a antiga Pérsia, e como o povo de Ciro espalhou-se até o Mediterrâneo, e foi poderoso por séculos, e no Brasil recebemos sempre muitos imigrantes dessa parte do mundo, conclui-se que nas veias brasileiras corre muito sangue iraniano.
O presidente petista está cometendo mais um erro. Uma nau brasileira, tripulada por nossos bravos marujos, hasteando nossa bandeira, vai atravessar meio mundo, para provocar o mui antigo, nobre e pacífico povo persa... Sem nenhum motivo para isso !!!
Escrito por Alex às 21h20
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Os blogs comunistas
No encontro regional de Minas Gerais da Conferência de Organização do PCB, que aconteceu no início de 2008, a camarada Kênia, de Juiz de Fora, falou da importância dos blogs para a comunicação do Partido. Achei interessante, apoiei, mas no dia não consegui perceber toda a relevância do tema, para a comunicação, a organização e a formação dos comunistas.
Um blog é uma página da Internet. Não é como o sítio do Partido que tem várias páginas, mas para uma célula é o que basta, mesmo porque pode ser gratuito. São paginazinhas pouco visitadas no mais das vezes, e levam sobrenomes multinacionais, como .zip.net (caso do nosso de São João del-Rei), .blogspot etc., o que só acontece pela timidez do Partido, que não oferece logo as terminações .pcb.br e .ujc.br para nossos blogs. Mas essas paginazinhas podem ter para nós enorme validade.
FORMATIVA
Atualmente, centenas de internautas debatem nas páginas da Internet, a exemplo do Orkut, em comunidades marxistas diversas. Contudo, como se sabe, trata-se de um debate de péssima qualidade, um debate de surdos, cheio de provocadores, preconceituoso, desrespeitoso. Não são produzidos artigos nesses debates, mas um novo e inferior gênero literário, tipos de resumos mal feitos.
Os blogs permitem um novo caminho, pois nestes, muitas vezes, são publicados artigos de verdade, poemas, manifestos, textos mais completos e aprofundados. O que falta entre os blogs, com destaque para os comunistas, é o debate, o que o site do Partido poderia criara com uma beirada (uma colunazinha) escondida no pé da página principal.
Por exemplo, hoje, dia 13 de Agosto, teríamos os seguintes links nessa coluna:
“São João del-Rei (MG) - Os blogs comunistas
Franca (SP) - Tito Flávio: Ônibus de graça para todos
Nova Friburgo (RJ) – 1º de Agosto: 81 anos da UJC
Rio Preto (SP) – “Vermelho”
Rio Claro (SP) – Construindo a Governança Comunista do Rio de Janeiro”
Ou seja, teríamos o Partido para ler, em sua diversidade continental, e é isso que geraria o debate, daí as leituras, e respostas, e a conseqüente formação exigida por esse debate. As mazelas da formação apareceriam com mais clareza, obrigando os camaradas mais instruídos a responde-las. Cada blog permite o debate de cada um de seus artigos, e o debate poderia atingir um nível mais alto, um blog publicando um artigo em resposta a outro artigo, coisa que a iletrada esquerda brasileira raramente conheceu.
Esse debate animaria os blogs comunistas de todo o país, e o site do Partido ao mesmo tempo.
ORGANIZATIVA
O papel organizador da imprensa foi suficientemente defendido por Lênin, em “Por Onde Começar?” E em “Que Fazer?”. Atualmente questiona-se a real validade da Internet para a esquerda, visto que nem todos a utilizam, mas ninguém se lembra de que no início do século XX, quando os jornais Iskra e depois Pravda foram usados como instrumentos da organização do Partido Bolchevique, nem 10% da Rússia sabia ler! Assim como os jornais bolcheviques eram lidos em voz alta para os analfabetos, os bons artigos da Internet acabam impressos para os analfabetos digitais.
O fortalecimento da rede de blogs comunistas vai criar entre nós uma unidade e uma sintonia que as distâncias e continentais de nosso país nunca permitiram. A organização leninista só funciona com essa lógica, de união nacional ou internacional que permita ganhos de escala, divisão do trabalho, ou seja, a superação do trabalho artesanal com que mantemos esses blogs pouco visitados.
COMUNICATIVA
Tanto o site do Partido quanto os blogs passarão a ser mais visitados, inicialmente por um público interno, ou seja, por camaradas. Ainda mais se o Partido criar os provedores de blog .pcb.br e .ujc.br, pois então poderá colocar na coluna lateral de cada um desses blogs os links com as manchetes de seu próprio sítio.
Depois, a elevação das visitas diárias elevará a importância política desses blogs, que então se tornarão também referências locais, visitados pelo público externo ao Partido.
CONCLUSÃO
Além de todas as vantagens acima descritas, essas simples mudanças técnicas no site do Partido tornariam o PCB a organização inquestionavelmente mais democrática da esquerda, pois contaria com uma tribuna de debates permanente, sem censura nenhuma, com a única limitação de que exigindo organização e democracia na base, pois seriam blogs das células e comissões provisórias e não de indivíduos.
Escrito por Alex às 22h04
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Guerra na Geórgia
O império contra a Rússia
Nós, comunistas, fomos derrotados nesse grande país do norte, que já não constrói o socialismo, mas sim recua para o capitalismo desde 1959. Porém, o império capitalista, as potências que tentam falar em nome de todo o Ocidente, temem o povo russo, e pretendem esmagá-lo, dividi-lo em dezenas de republiquetas, empobrece-lo. Reconhece, o império, que o capitalismo não tem condições de resistir por muito tempo entre um povo que já provou o gosto do socialismo. Ademais, a Rússia não conseguiu voltar tanto ao capitalismo como afirma a mentirosíssima imprensa brasileira. Pelo contrário, há poucos anos teve que reestatizar os quatorze ramos mais estratégicos da economia, que foi o que permitiu cessar a catástrofe econômica que durou toda a década de 1990. O exército voltou a usar a bandeira soviética. O hino voltou a ter a música do hino soviético. Os comunistas continuam bem fortes, embora o governo esteja nas mãos de capitalistas confessos. O império permanece apreensivo quanto à Rússia.
Nessas Olimpíadas de 2008, o que os EUA fizeram foi testar os limites da paciência dos governantes russos, que têm seus rabos presos com as potências ocidentais que conhecem e têm provas dos enriquecimentos ilícitos que marcam a origem de toda a atual burguesia russa. Mandaram uma república fantoche, a Geórgia, atacar a Ossétia do Sul, um povo eslavo protegido por tropas de manutenção da paz de origem russa. Contudo, a Rússia já não está mais tão humilhada quanto na época de Yeltsin, e reagiu, protegendo seus compatriotas. Por enquanto, a Ossétia está salva, as tropas georgianas derrotadas aprenderam o quanto vale a amizade dos EUA, que só está ajudando com palavras.
Contudo, as agressões do império contra a Rússia não vão parar. Todos os separatismos serão incentivados, toda a propaganda será anti-eslava, as tropas da Otan, seus porta-aviões, submarinos e bases de mísseis continuarão a cercar a velha Rússia.
Hoje, é o Dia da Vitória, quando os russos comemoram a sua vitória sobre a Alemanha nazista. Que as armas que marcham sob o estandarte vermelho dos bolcheviques voltem a trazer a esperança!
Escrito por Alex às 14h17
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Eleições de 2008
Participação comunista nas eleições municipais
Tem que existir um caminho para a conquista do poder popular mesmo quando o capitalismo se camufla com a democracia liberal. Aliás, a superação da democracia burguesa por um tipo mais aperfeiçoado de democracia, onde a maioria do povo realmente tenha algum poder, é uma necessidade, visto que a palhaçada que atualmente vigora vai decepcionando o povo, e assim preparando o terreno para uma escalada autoritária.
Em São João del-Rei, o PCB integra a Frente Socialista, cujo programa é a Soberania Popular, ou seja, verdadeiro poder do povo. Para isso propomos diversas novidades:
1 – Que o povo tenha o poder de substituir o prefeito. Ideal seria que isso fosse possível a qualquer momento, mas atualmente só é praticável realizar um plebiscito anual, em que os mandatos sejam avaliados pelos eleitores.
2 – Completa transparência. Os extratos bancários da Prefeitura devem ser públicos, e saques em dinheiro devem ser proibidos, visto que emitindo cheques o Prefeito produz provas, facilitando a fiscalização.
3 – Poder popular direto sobre a Prefeitura, de forma que as decisões sejam tomadas pelo povo capacitado para isso. Por exemplo, a Secretaria de Educação deve ser dirigida pelos estudantes, professores e pais, e não por qualquer pessoa que o prefeito cisme de indicar. Outro exemplo, a Secretaria de Turismo deve estar sempre nas mãos dos entendidos no assunto e dos estabelecimentos diretamente relacionados a esse setor da economia.
O objetivo é constituir um campo político que lute por essas bandeiras e outras que ampliem o poder e a participação popular. Nossos parâmetros são as eleições de 2004 e 2006. Na primeira, Daniel Auim, do PSTU, hoje em nossa coligação, obteve 3,5 % dos votos para prefeito. Em 2006, a mesma coligação que temos hoje, PSOL, PSTU e PCB, obteve em São João del-Rei, para Heloísa Helena presidente, 9,75 % dos votos. É esse último valor que pretendemos superar.
Esse, contudo, é o único artigo que publicaremos sobre essas eleições (antes que se realizem, claro), pois a lei eleitoral exige que toda a propaganda pela Internet seja feita somente em site próprio dos candidatos. Como o PCB de São João del-Rei não tem nenhum candidato seu, essa lei significa que estamos praticamente proibidos de emitir nossas opiniões sobre essas eleições em um site do PCB, visto que adversários poderiam interpretar artigos desse tipo como propaganda eleitoral irregular.
Escrito por Alex às 00h06
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